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Na quarta-feira foi o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. À entrada da escola da T., deram um papelinho aos alunos com um coração e a frase "ser diferente é normal". E eu gostei mesmo de ver aquilo porque a escola serve para isso mesmo. Integrar, sensibilizar e educar em muito mais do que o que os livros trazem. Só que, ontem, aconteceram duas coisas.

 

Primeiro, a T. disse-me que a maioria dos papelinhos andavam pelo chão da escola. Faz-me lembrar o Padre António Vieira e o seu Sermão. O problema pode não ser do sal, frequentemente é que a terra não se deixa salgar.

 

Depois, um dos meus excelentíssimos alunos resolveu dizer-me, está bem que em tom de brincadeira, se eu já tinha dado os parabéns a um dos outros por na quarta feira ter sido o dia dele. Levaram todos um grandecíssimo raspanete. Mandei-os experimentarem usar uma cadeira de rodas durante um dia inteiro, sem se levantarem para nada. Mesmo que encontrassem escadas, que quisessem ir à casa de banho, que não chegassem à prateleira mais alta e que depois talvez pensassem antes de dizerem idiotices.

 

Se calhar tenho que começar a trabalhar com eles nestes dias, em vez de andar a pintar desenhos de Halloween ou a fazer perus de Ação de Graças. Pelo sim, pelo não, vou ver com eles a curta Cordas. Bem sei que já toda a gente viu e, se forem como eu, chorou, mas deixo aqui na mesma porque é sempre bom ver outra vez. As colegas chamam estranha a Maria, mas o mundo devia estar cheio de Marias como esta.

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publicado às 09:39


4 comentários

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De Alexandra a 06.12.2014 às 00:12

Ainda há muito a fazer para que as diferenças sejam aceites. Mas é a trabalhar com os mais pequenos que se consegue, porque os burros velhos já não aprendem ;)
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De Mar Português a 06.12.2014 às 17:12

Esta semana que vem, que já não têm testes, vão ver o Cordas. É certinho! Depois conto as reações. 
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De Teresa a 11.12.2014 às 15:53

Acho importante as Escolas assinalarem estas datas, não pela data em sim, mas porque é um assunto importante, infelizmente distribuir papelinhos não é suficiente  (mas tem que se começar por algum lado) porque todos os outros "ensinamentos" estão muito enraizados na nossa cultura.
Este é um tema que me toca na pele, porque eu sou portadora de deficiência, e apesar de nunca ter sentido descriminação em nenhuma fase da minha vida, já senti muitas vezes olhares de estranheza pela diferença e isso custa um pouco, ainda mais quando temos fases mais frágeis (como qualquer outro ser humano).
Tenho a certeza que professoras como tu fazem a diferença <3 e se um aluno que seja mude a sua forma de ver as pessoas "especiais" já valeu muito a pena!


Beijinho***
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De Mar Português a 19.02.2015 às 15:24

Lembro-me da altura em que li o teu comentário e fui adiando a resposta para poder responder com calma. Depois, motivos alheios à minha vontade afastaram-me do blogue e agora estou aqui, a tentar responder  tudo o que não respondi e deparo-me outra vez com o teu comentário. Não sei qual é a tua história, mas posso contar-te a minha - é nenhuma. Nunca lidei com um deficiência, nem na primeira pessoa, nem com alguém próximo. Tenho tido essa sorte! Ainda assim, por alguma razão, é um assunto que me é próximo porque eu fui educada (ou então fui-me educando) assim. Seja quanto a uma limitação física ou mental, à orientação sexual, ao estilo de vida ou a outra coisa qualquer, não sei porque é que as pessoas ainda não entenderam que ser diferente é normal, que toda a gente é diferente à sua maneira. Sim, espero que as mentalidades comecem a mudar e isso tem de começar nas escolas. Ajudar a construir seres humanos, mais do que técnicos ou pensadores, é o verdadeiro trabalho de um professor. Eu nem sequer sou uma professora a sério (ou seja, que trabalhe numa escola). Com as crianças que me vão passando pelas mãos, faço o que posso, mas sei que nem sempre é suficiente.


Obrigada pelo teu comentário! E coragem, força, ânimo a enfrentares um mundo que talvez nem sempre te compreenda. Certamente também já conheceste muitas pessoas que te vêem como realmente és.


Beijinhos*

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