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Não sei se já tinha dado para perceber que gosto de literatura e que acredito muito na produção nacional. Mas se ainda não deu, acho que agora vai dar.

Quero isto! Muito! (Aproveito agora para lembrar que faço anos daqui a exatamente um mês.)

 

É verdade que ainda não tenho a minha casa, mas e então? Este conjunto tem tanto a ver comigo que acho que, se eu tivesse essa casa (ou quando a tiver), quem me conhece saberia reconhecê-la só de ver estas chávenas. São perfeitas! A designer, Catarina Pestana, capturou na perfeição as várias faces da literatura pessoana: diferentes, mas indissociáveis e, sobretudo, fora do convencional. Tal como uma chávena de café que não tem asa e não se sustém sozinha.

 

Pessoa ortónimo e os seus heterónimos mais conhecidos: as melhores companhias para o café. 

publicado às 17:46

Devia ter ido mais cedo! Deixar para o último dia é muito arriscado, sobretudo com este tempo. O E. foi comigo, apesar de estar longe de ser o seu programa favorito. Já eu estava entusiasmadíssima, parecia até uma criança. É que, para alguém que gosta tanto de livros, eu nunca tinha ido a uma Feira do Livro. Não tenho, portanto, termo de comparação, mas adorei. Tantos livros no mesmo espaço, tantas histórias. Ali podem encontrar-se sobretudo livros menos recentes, não necessariamente antigos, mas livros deste ano são raros. Há muitas bancas de livros novos, mas o que mais gostei foi dos alfarrabistas - daquele cheiro a livros (não a novo, a livros), a histórias, a cultura. Foi um circo para escolher os que vinham comigo para casa, mas lá acabei por me decidir a dois clássicos britânicos (um dos quais até já li, mas há livros que quero ter mesmo assim):

Diz a comunicação social que foi um sucesso. Acredito e espero mesmo que assim seja, mas não vou abordar isso aqui. Do que li nas notícias, deixo só a informação que a organização já garantiu que a edição do próximo ano será no mesmo espaço. E esse é um detalhe importante, porque o local ajuda muito. Ali, nos jardins do Palácio, por baixo das árvores, aquelas barracas pré fabricadas nem se notam. É só um mundo com um ambiente incrível, onde se respira... literatura.

publicado às 21:36

Feira do Livro

21.09.14

Mesmo à última, mas viemos.

publicado às 16:48

Para ver Os Maias, eu e  E. tivemos que nos deslocar a um shopping. Chegámos com bastante antecedência - primeiro, porque eu estava em pânico que os bilhetes esgotassem (sou mesmo inocente!), segundo, porque tínhamos umas reclamações (eu sou ótima nessas coisas) e compras para fazer. Ainda assim, sobrou tempo e fomos, claro está para o único sítio possível para os dois - a FNAC. Ele vai ver os computadores, os tablets, as máquinas fotográficas e essa tralha toda e eu vou para o meio dos livros.

 

Acontece que desta vez a minha visita àquela loja não foi inocente, porque eu corri todo o Algarve (pronto, foi só Portimão) à procura de um presente. Nada de especial e sem motivo, mas pronto, como ele anda sempre a acartar-me presentes de todo o canto e esquina onde vai, meti isto na cabeça, que ele também merece um presente 'só porque sim'. E nada! Nicles! Zero! Os homens são terríveis. Foi quando me lembrei que isto não era um souvenir porque ele está fartinho de ir para o Algarve, portanto mais valia comprar cá em cima, com mais calma e no 'meu território'. Lembrei-me ainda que ele uma vez me disse que gostava de ter livros sobre carros. Portanto, entramos na loja, ele ficou logo ali na secção de fotografia e eu toca a andar para os livros. Encontrei a logo a secção de livros sobre automóveis e estava ali há muito pouco tempo quando:

 

- Estás a ver coisas para mim?

- (virei-me) Nim! Estou a ver tudo! E tu?

- Vim à tua procura!

- Pronto, encontraste. Vai lá ver as tuas coisas!

- Já vi!

- Tudo?

- Hoje não me apetece andar aqui às voltas. Mas está à vontade, eu espero aqui!

 

Aqui?! Desde quando é que sua excelência fica à minha espera - e sim, reconheço que é sempre ele a vir buscar-me - na secção dos livros? Ainda tentei pô-lo a andar, mas nada. Ainda por cima, também começou a mexericar nos livros sobre carros. Peguei no livro (que eu já tinha escolhido), virei-me para ele:

 

- Sim, estou a ver coisas para ti e para já. Surpresa! Agora desanda-me daqui para eu ir pagar isto.

 

Eu sei que vão dizer que podia ter esperado para outro dia em que estivesse sozinha, mas eu normalmente engano-o tão bem nestas coisas... Já lhe comprei tantas prendas mesmo debaixo do nariz. Depois o mulherio é que complica.

 

Mas pronto, valeu apena! Ainda faltavam 45 minutos para o cinena e ele lá se entreteve, todo entusiasmado com as histórias dos melhores carros desde 1900 (Deus que me livre de tamanha seca) e eu, mais uma vez, comprovo a minha teoria de que para toda a gente há sempre, pelo menos, um livro perfeito.

publicado às 19:07

No Verão que marcou a passagem do meu 11º para o 12º ano, deu na televisão uma série brasileira que adaptava Os Maias. Como nessa altura a obra queirosiana integrava o programa do 12º, fiz de tudo para ver o máximo de episódios. Vi ainda uma boa parte, mas depois, coisa mais chata, fui de férias e não vi o final. Mais tarde, quando li o livro, achei que a série se centrava muito na história amorosa, o que faz com que, ainda hoje, aqueles sejam para mim os rostos de Maria Monforte, Pedro, Carlos e Maria Eduarda da Maia. 

 

Agora no cinema, a obra foi, naturalmente, mais condensada, mas tem uma característica que a adaptação televisiva não tinha, pelo menos de forma tão vincada: a crítica social. Está lá tudo e, ainda que só quem leu verdadeiramente a obra prima de Eça possa perceber inteiramente a sua dimensão, a crítica é percetível mesmo ao mais distraído dos espetadores: um Portugal descaracterizado de si próprio, provinciano e a viver acima das suas possibilidades. Na verdade, tal intenção, e não apenas a de contar os amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda, é visivel, desde logo, na adoção não só do título, como também do subtítulo da obra: Os Maias - Cenas da Vida Romântica. Se no que toca ao texto não houve grandes trabalhos - é o de Eça, sem tirar nem pôr, no seu estilo inconfundível - nos cenários exteriores o realizador deixa a sua marca, ao torná-los muito irreais em contraste com os interiores, o que contribui para a dimensão dramática e a demonstração da fragilidade da sociedade lisboeta. 

 

O elenco também merece destaque, em especial o ator Pedro Inês, pela sua interpretação de João da Ega. E, claro, João Botelho, por trazer ao grande público uma das obras maiores da literatura portuguesa, sem perder a visão do autor, mas sem deixar de lhe dar um cunho próprio. É desta cultura - aquela que preserva a própria cultura - que o país tem falta.

Carlos da Maia (Graciano Dias) e Maria Eduarda (Maria Flor).

Carlos da Maia (Graciano Dias) e João da Ega (Pedro Inês).

Afonso da Maia (João Perry) com o seu gato, Reverendo Bonifácio.

O cenários da Lisboa oitocentista.

publicado às 19:42

Os Maias

11.09.14

Hoje estreou a adaptação de Os Maias, de Eça de Queirós, no cinema. Se tiver metade da qualidade do livro, será um filme daqueles, mas independentemente disso já vale pelo esforço de adaptação de uma das maiores obras da literatura portuguesa. Pelos vistos, mais tarde vai dar na RTP dividido em quatro episódios, o que, citando o realizador, João Botelho, "é um bom exemplo de serviço púbico", mas eu não aguento. Por isso, querido E., já sabes o que te espera.

 

E aos meus explicandos do 11º: não, ver o filme não dispensa, de todo, a leitura do livro.

 

publicado às 21:45


Joana

foto do autor


Neste mar

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