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Vi o filme Charlie e a Fábrica de Chocolate pela primeira vez. Johnny Depp não esteve no seu melhor, mas o jovem Freddie Highmore, que interpreta Charlie, é muito genuíno e cada vez gosto mais das produções de Tim Burton. Já tinha ouvido falar do filme, mas não fazia ideia que o principal tema é a educação. Ou melhor, a má educação. Veruca é uma menina mimada e que não aceita um não como resposta; Violet foi educada para vencer e não olha a meios para atingir os seus fins; Augustus é um rapazinho guloso e invejoso, que come  dezenas de chocolates por dia; e Mike é agressivo, armado em esperto e viciado em videojogos, o que fez com perdesse a imaginação - todos são engolidos pela fábrica de Wonka, até que apenas o humilde e carinhoso Charlie resta.

Estes exageros educativos existem na realidade e chama-me, em particular, a atenção a critica ao excesso de meios informáticos e televisivos. Devo salientar que eu cresci a ver filmes - os agora chamados clássicos da Disney - e que não sou daquelas pessoas fundamentalistas que defendem que as crianças não devem ver televisão ou jogar videojogos. Acho, isso sim, que tudo deve ser feito na medida certa e que realmente, e como dizem os Oompa Loompas, o excesso mata a imaginação e habitua o cérebro a um consumo imediato, em que já não pensa, apenas vê.

 

Infelizmente, não encontrei legendado, apenas a dobragem brasileira, mas aqui fica o vídeo, que é bem interessante, tanto para miúdos como para graúdos.

publicado às 10:39

Gosto da Anatomia de Grey! Pronto, já disse! Vi tudinho das primeiras cinco temporadas e fui sempre acompanhando as seguintes. Acho até que a série melhorou quando o casal principal - Derek Shepherd (Patrick Dempsey) e Meredith Grey (Ellen Pompeo) - finalmente acertou agulhas. E acho isto por dois motivos: primeiro, permitiu dar destaque e desenvolvimento a outras personagens com histórias que também mereciam ser contadas e, segundo, deu ao espetador uma oportunidade rara - ver o que acontece depois do "felizes para sempre". A série ganhou uma dinâmica mais ao estilo de ER, embora não seja possível fugir muito da órbitra da personagem que lhe dá o nome.

 

Com apenas cinco elementos do elenco original, Anatomia de Grey soma e segue para a sua décima primeira temporada. Sim, é verdade, para além de Meredith e Derek, apenas Richard Webber (James Pickens, Jr.), Miranda Bailey (Chandra Wilson) e Alex Karev (Justin Chambers) permanecem. O que já revela um grande desafio - colmatar o vazio deixado por uma das personagens mais carismáticas desde o primeiro episódio: Cristina Yang (Sandra Oh). Para além de todas as tramas paralelas - a disputa pelo lugar de Cristina na direção entre Alex e Bailey, a nova vida de April Kepner (Sarah Drew) e Jackson Avery (Jesse Williams) como pais, a sempre atribulada relação de Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez), a vida de Owen Hunt (Kevin McKidd) depois de Cristina e uma participação muito especial de Geena Davies - consta-se que a nova temporada será muito focada em Meredith, com uma possível crise no seu casamento à vista, a partida da sua melhor amiga e a chegada de uma meia-irmã desconhecida, filha da sua falecida mãe e de Richard.

 

Quem quiser acompanhar as lutas pessoais destes cirurgiões enquanto tentam salvar vidas, pode fazê-lo já no próximo dia 8. Com apenas duas semanas de diferença para a estreia original, há duplo episódio, às 21h45, na Fox Life.

As imagens foram cortesia da Fox Life.

publicado às 14:59

Depois de ver Os Maias, fico a pensar como um baixo orçamento não é motivo para deixar as grandes obras primas no papel. Há lugar para o cinema em Portugal. Então, o que eu queria mesmo, era ver o Memorial do Convento adaptado à sétima arte. Isto é sempre uma afirmação difícil, mas acho mesmo que foi o melhor livro que já li. Não vou agora pôr-me aqui a fazer uma análise detalhada. Sei que a adaptação é mais difícil, mas deixo isso para quem percebe do assunto.

 

A quem achar que não vale apena, vou deixar aqui a minha visão sobre um dos segmentos da obra: Baltazar e Blimunda. Ele é maneta, ela é vidente. Ele constrói uma máquina proibida, ela recolhe as vontades que a farão funcionar. Ele perde-se, ela procura-o. Romeu e Julieta. Tristão e Isolda. Elizabeth e Mr. Darcy. Não há história ou amor como o de Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas. Duas faces da mesma moeda. O amor perfeito. Aquele que não cobra, que compreende, que se reconhece, que se basta, que completa, que acredita, que não desiste. O génio de Saramago, revelado também num lado mais doce.

 

Agora digam lá se isto, só por si, já não merecia um filme?

publicado às 10:16

Recencentemente, disse aqui que sou fã da série Friends. A T. também adora e foi com surpresa que ontem a ouvi dizer "aquela que faz de Monica gosta muito de cirurgias plásticas". Como? A Courteney Cox? Aquela que eu sempre achei tão mais bonita que a Jennifer Aniston? Puxei pela cabeça até me lembrar dela nas últimas temporadas e nãome surgiu uma imagem plastificada. Lá lhe perguntei porque dizia aquilo e ela explicou-me que viu o anúncio à série que a Couteney Cox faz atualmente e que se nota muito. Fui investigar.

 

Esta era a Courteney Cox enquanto Monica Geller:

E, bem sei que já lá vão dez anos, agora:

Não percebo!

publicado às 10:09

Soube hoje que ontem fez vinte anos que estreou a série de culto Friends, que teve grande impacto na altura por abordar a vida de jovens adultos que encaram sem tabus a sua vida sexual. Com diálogos brilhantes, a comédia sempre presente, o elenco perfeito, um conceito à época inovador e uma audiência tão variada, não percebo como só ganhou o Emmy uma vez. Mesmo assim, a série conseguiu - não foi esquecida. Já vi todos os espisódios e ainda agora vejo. A minha irmã também adora. Para mim, bate qualquer comédia atual e nunca deixo de rir com os disparates e as peripécias de Rachel, Ross, Monica, Chandler, Phoebe e Joey. 

Quando me sinto deprimida, mas não tenho tempo para isso, ouço a música inicial para me animar. E resulta! Claro que eu sei que aquilo não existe - amigos que vivem juntos, fazem tudo juntos e estão todos os dias juntos. Mas lembra-me que existem amigos com quem se pode contar sempre, numa versão real que é melhor que a da série - mesmo não estando sempre juntos, são amigos daquela maneira when the rain starts to fall. Porque o melhor de Friends, muitas vezes acusada de ser superficial, é o seu conceito bem profundo - que os amigos são, mesmo não tendo esse nome, família. 

P.S.: É este género de coisa, pensar nessa família escolhida que eu tenho a sorte de ter, que me deixa os olhos a picar e as emoções em descontrolo. O que se há-de fazer, sou chorona.

publicado às 13:50

No Verão que marcou a passagem do meu 11º para o 12º ano, deu na televisão uma série brasileira que adaptava Os Maias. Como nessa altura a obra queirosiana integrava o programa do 12º, fiz de tudo para ver o máximo de episódios. Vi ainda uma boa parte, mas depois, coisa mais chata, fui de férias e não vi o final. Mais tarde, quando li o livro, achei que a série se centrava muito na história amorosa, o que faz com que, ainda hoje, aqueles sejam para mim os rostos de Maria Monforte, Pedro, Carlos e Maria Eduarda da Maia. 

 

Agora no cinema, a obra foi, naturalmente, mais condensada, mas tem uma característica que a adaptação televisiva não tinha, pelo menos de forma tão vincada: a crítica social. Está lá tudo e, ainda que só quem leu verdadeiramente a obra prima de Eça possa perceber inteiramente a sua dimensão, a crítica é percetível mesmo ao mais distraído dos espetadores: um Portugal descaracterizado de si próprio, provinciano e a viver acima das suas possibilidades. Na verdade, tal intenção, e não apenas a de contar os amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda, é visivel, desde logo, na adoção não só do título, como também do subtítulo da obra: Os Maias - Cenas da Vida Romântica. Se no que toca ao texto não houve grandes trabalhos - é o de Eça, sem tirar nem pôr, no seu estilo inconfundível - nos cenários exteriores o realizador deixa a sua marca, ao torná-los muito irreais em contraste com os interiores, o que contribui para a dimensão dramática e a demonstração da fragilidade da sociedade lisboeta. 

 

O elenco também merece destaque, em especial o ator Pedro Inês, pela sua interpretação de João da Ega. E, claro, João Botelho, por trazer ao grande público uma das obras maiores da literatura portuguesa, sem perder a visão do autor, mas sem deixar de lhe dar um cunho próprio. É desta cultura - aquela que preserva a própria cultura - que o país tem falta.

Carlos da Maia (Graciano Dias) e Maria Eduarda (Maria Flor).

Carlos da Maia (Graciano Dias) e João da Ega (Pedro Inês).

Afonso da Maia (João Perry) com o seu gato, Reverendo Bonifácio.

O cenários da Lisboa oitocentista.

publicado às 19:42

Os Maias

11.09.14

Hoje estreou a adaptação de Os Maias, de Eça de Queirós, no cinema. Se tiver metade da qualidade do livro, será um filme daqueles, mas independentemente disso já vale pelo esforço de adaptação de uma das maiores obras da literatura portuguesa. Pelos vistos, mais tarde vai dar na RTP dividido em quatro episódios, o que, citando o realizador, João Botelho, "é um bom exemplo de serviço púbico", mas eu não aguento. Por isso, querido E., já sabes o que te espera.

 

E aos meus explicandos do 11º: não, ver o filme não dispensa, de todo, a leitura do livro.

 

publicado às 21:45

Os "Óscares da televisão" deram, no que ao drama diz respeito, grande vitória a Breaking Bad. Era expectável. O que não significa aborrecido ou insatisfatório. Venceu como Melhor Série graças a um enredo sempre empolgante, à brilhante direção e a um elenco escolhido a dedo. Prova disso, nas categorias de atores, 'sem espinhas' para Aaron Paul e Anna Gunn, mas concorrência pesada para Bryan Cranston, o que torna a sua vitória mais discutível. Não para mim. Anseio vê-lo mais ligado à sétima arte e acredito ter o talento necessário para se descolar de uma personagem que para sempre marcará a sua carreira. Talvez existam atores que teriam interpretado Walter White tão bem como Cranston, mas melhor é impossível. Destaque ainda para Julianna Margulies que venceu com a sua mulher de armas em The Good Wife.

Nas minisséries ou telefilmes, vitórias para os atores de Sherlock. Pelos vistos, com surpresas, se bem que, na minha opinião, sem concorrência.

Mas o que me faz mais espécie são as categorias de comédia. Sim, gosto de Uma Família Muito Moderna. Tem a Sofia Vergara com o seu sotaque, o Ty Burrell é realmente impecável e o conceito destas novas famílias onde o únco elo com as tradicionais é precisamente o único que importa - o amor. Agora, vá lá, vencer pelo quinto ano consecutivo? Jim Parsons lá ganhou com Sheldon Cooper, mas A Teoria do Big Bang já merecia a vitória como Melhor Série, com o seu humor inteligente e um elenco que funciona na perfeição. Apesar que, tanto Friends, como Seinfield só ganharam uma vez. Vá-se lá entender.

publicado às 12:58

Então parece que ontem foram os Emmys. Eu, apesar de, como a maioria do mulherio, gostar de umas roupitas, não sou muito deste género de críticas, mas isto é de fugir:

Lena Dunham inspiradíssima nas sete saias da Nazaré. Quando for bem vestida,aí sim, será novidade.

Sarah Paulson a parecer um cruzamento estranho entre salamandra e pavão. Ah, e o cabelo lambido por uma vaca.

 

Mayim Bialik, na versão azul da Bela e o Monstro. Tenho pena porque eu gosto tanto dela.

 

Mas eu sou mais chegada aos resultados do que à passadeira vermelha. Falamos já disso.

publicado às 21:35

Não sou assim a fã nº1 desta série. Aliás, devo estar longe de qualquer posição no ranking dos maiores fãs por largas centenas. Há o original e há os dois spin-offs. Já vi todos e deve haver pouca gente que nunca tenha visto pelo menos um episódio. Em determinada altura, via mais o Miami, noutras temporadas era só Nova Iorque e, apesar de a minha escolha estar sobretudo relacionada com a oferta televisiva do momento, aquele de que sempre gostei mais, talvez por ser o primeiro, não só da sua estirpe mas de toda uma nova onda de séries criminais, foi o situado Las Vegas.

 

CSI Nova Iorque tem, na minha opinião, um problema na sua génese: passa-se numa das cidades mais emblemáticas do mundo, já tão explorada pelas séries televisivas, sobretudo policiais e criminais, que é difícil a dinâmica CSI, já de si tão incredível, parecer real. Miami não se depara com esse problema, mas o ar é demasiado tropical, está muito centrada nos maneirismos de uma única personagem e, vá lá, técnicas forenses a recolherem provas criminais de calças brancas e saltos altos? Até para o exagero há limites.

 

Definitivamente, Las Vegas é o melhor. A localização ajuda, quebrando e aproveitando a dinâmica da própria cidade e as potencialidades do deserto. A série foi um sucesso imediato, apesar das incoerências e do irrealismo com que retrata a verdade e as possibilidades dos técnicos forenses. Ainda assim, as audiências começaram a cair com saída de Gil Grissom, personagem principal desde o primeiro episódio, interpretada pelo ator William Peterson. Por esta altura, raramente via CSI. Seguiu-se um novo líder, um tal de Raymond Langston, encarnado pelo ator Lawrence Fishburne. Segundo sei, era uma personagem sombria e perturbada, talvez um Grissom levado ao extremo, talvez uma tentativa de criar mistério, não sei bem, mas não resultou.

 

E eis que surge Ted Danson. Quem não se lembra do eterno bartender de Cheers? Nessa altura, Danson foi nomeado para o Globo de Ouro uns impressionantes onze anos seguidos, vencendo por duas vezes. Os anos passaram, existiram novos projetos que já passaram a velhos, a cor de cabelo mudou, mas o talento é exatamente o mesmo. Danson trouxe, juntamente com o seu D.B. Russell, um novo dinamismo a CSI, refletido inclusive em personagens que fazem parte do universo da série desde o início. Ao contrário dos anteriores líderes, D.B, é um homem de família, pacato, relaxado, razoável, carismático e, sobretudo, normal. A ajudar à festa chega Elizabeth Shue, que interpreta Finn, a parceira de D.B. Shue e Danson têm a química televisiva perfeita e os argumentistas da série foram inteligentes ao dar às suas personagens um passado em comum, que justifica a sua cumplicidade mas que, inesperadamente, não é romântico. Danson tem feito televisão sempre num género mais centrado em personagens. Ao contrário, CSI foca-se em eventos e é já de si tão recheado de visualismo, histórias paralelas e termos complicados que o simples facto de aceitar um papel que não lhe daria tanto protagonismo pareceu, no mínimo, estranho. Mas, resulta! CSI permanece, à altura da sua 13ª temporada, líder de audiências no seu horário e a série televisiva mais vista do mundo.

 

CSI estava a ficar velho, sombrio, preso em lugares comuns, com as personagens sempre a tentarem conciliar a profissão com a vida privada para, quase invariavelmente, falharem. Foi salvo pelo talento dos seus produtores e argumentistas, mas também, talvez exclusivamente aos olhos do público, pelo brilhantismo de Ted Danson, que aos 66 anos continua a agarrar muita gente ao ecrã.

publicado às 18:58


Joana

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Neste mar

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