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No Verão que marcou a passagem do meu 11º para o 12º ano, deu na televisão uma série brasileira que adaptava Os Maias. Como nessa altura a obra queirosiana integrava o programa do 12º, fiz de tudo para ver o máximo de episódios. Vi ainda uma boa parte, mas depois, coisa mais chata, fui de férias e não vi o final. Mais tarde, quando li o livro, achei que a série se centrava muito na história amorosa, o que faz com que, ainda hoje, aqueles sejam para mim os rostos de Maria Monforte, Pedro, Carlos e Maria Eduarda da Maia. 

 

Agora no cinema, a obra foi, naturalmente, mais condensada, mas tem uma característica que a adaptação televisiva não tinha, pelo menos de forma tão vincada: a crítica social. Está lá tudo e, ainda que só quem leu verdadeiramente a obra prima de Eça possa perceber inteiramente a sua dimensão, a crítica é percetível mesmo ao mais distraído dos espetadores: um Portugal descaracterizado de si próprio, provinciano e a viver acima das suas possibilidades. Na verdade, tal intenção, e não apenas a de contar os amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda, é visivel, desde logo, na adoção não só do título, como também do subtítulo da obra: Os Maias - Cenas da Vida Romântica. Se no que toca ao texto não houve grandes trabalhos - é o de Eça, sem tirar nem pôr, no seu estilo inconfundível - nos cenários exteriores o realizador deixa a sua marca, ao torná-los muito irreais em contraste com os interiores, o que contribui para a dimensão dramática e a demonstração da fragilidade da sociedade lisboeta. 

 

O elenco também merece destaque, em especial o ator Pedro Inês, pela sua interpretação de João da Ega. E, claro, João Botelho, por trazer ao grande público uma das obras maiores da literatura portuguesa, sem perder a visão do autor, mas sem deixar de lhe dar um cunho próprio. É desta cultura - aquela que preserva a própria cultura - que o país tem falta.

Carlos da Maia (Graciano Dias) e Maria Eduarda (Maria Flor).

Carlos da Maia (Graciano Dias) e João da Ega (Pedro Inês).

Afonso da Maia (João Perry) com o seu gato, Reverendo Bonifácio.

O cenários da Lisboa oitocentista.

publicado às 19:42


2 comentários

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De Maria das Palavras a 17.09.2014 às 11:40

João da Ega , querido John <3
Tenciono ir ao cinema na próxima semana ver este filme.
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De Mar Português a 17.09.2014 às 21:46

Vai que não te arrependes. Está muito bom!

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Joana

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Neste mar

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