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Quem tem miúdos em casa ou gosta dos filmes da Disney, certamente já viu Ratatui, o filme em que um pequeno rato tem o sonho de se tornar chef de cozinha. O seu ídolo, um chef já falecido, tinha como máxima "qualquer um pode cozinhar". No final, é explicado o sentido desta frase: que um cozinheiro pode surgir de qualquer lugar.

 

Agora vamos falar de Saramago. É muito graças a este autor que a prosa em português ganha relevo e reconhecimento internacional. Saramago honra com muito mais, mas nada menos, que um Nobel, aquele que é o património mais vasto, mais rico, mais dinâmico, mais antigo e, para mim, mais extraordinário de Portugal: a língua portuguesa.

 

Já me passaram alguns alunos do 12º pelas mãos e, na hora de estudar Saramago, a questão que mais lhes dá voltas na cabeça é sempre a mesma: o seu estilo. A mim, francamente, não me faz confusão e não o considero, como tanto ouço dizer, erudito. Acho até muito interessante a adoção de uma escrita tão ligada à oralidade. É diferente, rara, peculiar, estranha, até, mas é também dinâmica, fluída, genuína, a dar maior relevo ao enredo do que à correção linguística e que cai que nem uma luva nas suas histórias interventivas e persuasivas. E que histórias! As ideias base dos seus livros são, em regra, de génio, por vezes, controversas e, sempre, autênticas.

 

E para que o início deste texto não pareça completamente desconexo, Saramago mostra-nos o mesmo que aquele filme da Disney, mas no campo da literatura: que qualquer um pode escrever, no sentido que um escritor pode ser qualquer pessoa. Como um serralheiro mecânico de Azinhaga. Talvez nem todos possam é ser brilhantes.

publicado às 11:51


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Joana

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Neste mar

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