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Ora bem, ninguém me perguntou nada assim em específico, mas, como eu não posso ver nada, vou dizer tudo na mesma. Aqui ficam as minhas escolhas para 2014, seguindo as mesmas categorias que o Sapo propôs a vários blogueres para nomearem.

 

O melhor livro que eu li em 2014 é, por acaso, o último. Chama-se Americanah, de Chimamanda Ngozi Adiche e já o tinha mencionado por aqui um par de vezes. Apesar de estar no meu top de 2014, foi considerado um dos dez melhores livros de 2013 pelo New York Times.

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Ifemelu e Obinze são dois namorados de liceu, que se separam quando ela vai estudar para os Estados Unidos. Lá, Ifemelu percebe que o racismo existe em variadíssimas formas e que a tão ansiada América não estende o tapete vermelho com tanta facilidade e, muito menos, a todas as pessoas. Apesar de manterem a sua relação, Ifemelu e Obinze acabam por se separar, não pela distância física, mas sim pela distância dos mundos em que agora vivem. Treze anos depois, inexplicavelmente, Ifemelu decide voltar para a Nigéria à procura daquilo que a América lhe tirou: as suas raízes. Mas tudo mudou, desde o país em que cresceu a Obinze, que agora é um empresário de sucesso, casou e tem uma filha. Em analepses e prolepses, assistimos ao desenrolar da história de Obinze e Ifemelu, mas também ficamos a conhecer a Nigéria dos últimos vinte anos, a sua instabilidade e evolução, e os Estados Unidos da última década de um ponto de vista muito pouco abordado na atualidade: o dos negros não americanos.

 

Cativante, bem escrito, inteligente, crítico, mordaz, inconvencional, envolvente e com protagonistas fortes e imperfeitos (ou talvez devesse dizer humanos), Americanah é uma leitura fulminante, intensa, com descobertas, reviravoltas e desilusões a cada página e, sim, como é natural nos romances, com o leitor a torcer pelos protagonistas no final.

publicado às 09:38

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Lembro-me de, aí pelos meus dez ou onze anos, ir de férias para o Algarve com os meus pais e um casal amigo e levar os seis livros da coleção As Gémeas, de Enid Blyton, e de ler os seis bem antes dos quinze dias das férias acabarem. O amigo dos meus pais resolveu batizar-me de "comedora de livros" e, de alguma forma, o nome ficou. É isso que alguns familiares e amigos mais chegados me chamam para se meterem comigo e rendeu-me muitos livrinhos como presente de aniversário.

 

O primeiro livro a sério que li foi Os Cinco na Ilha Perdida, também de Blyton, quando tinha oito anos, também no Algarve. Lembro-me bem do meu pai mo comprar e dizer que já chegava de livros da Anita. Desde aí, o meu grande vício começou. Em certas alturas, levei raspanetes da minha mãe por ler até tarde ou por querer levar livros para a escola e ficar na sala a ler nos intervalos em vez de brincar com os meus colegas. Ainda hoje sou mesmo assim, quando começo a ler um livro, não consigo parar. Agora, que penso nisso, é engraçado como os meus hábitos de leitura estão tão ligados aos meus pais, que não são muito chegados a ler livros. Lembro-me, por exemplo, da minha mãe, para me fazer treinar a leitura nas férias entre a primeira e a segunda classe, me ler uma história antes de dormir e, em troca, eu tinha que ler outra.

 

Pois bem, acho que posso concluir que tenho um pequeno problema com a leitura: gosto tanto, que não sossego até acabar. É ler, ler, ler e ler até serem seis da matina e o sol despontar na minha janela. Chego inclusive a evitar a leitura em certas alturas mais atarefadas. Disse aqui há um tempo que queria muito ler este livro. Acontece que ele agora é meu e é gigantesco, com mais de setecentas páginas. Estão a ver a chatice, não estão?

publicado às 12:01


Joana

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Neste mar

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