Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Vi os dois últimos episódios da quinta temporada de Uma Família Muito Moderna. (Atenção: spoilers a partir deste ponto.) Nestes episódios, Mitch e Cameron casam-se. Tudo parece correr mal, desde não terem os fatos de casamento a incêndios no local da cerimónia, mas o grande problema é Jay, o pai de Mitch, que, embora aceite a homossexualidade do filho, não está propriamente de acordo com o casamento. Só que, claro, no final, tudo fica bem porque Jay acaba por perceber que a única coisa que realmente importa é a felicidade de Mitch.

 

Gosto desta série, mas vejo-a sempre como a rival que arrebanha todos os prémios a A Teoria do Big Bang, essa sim, a minha favorita. Mas acontece que eu tenho esta teoria que o mundo tem finalmente de aceitar que todos temos o direito de sermos livres. Sim, claro, livres para votarmos em quem quisermos e expressarmos as nossas opiniões sem medos, mas também livres de preconceitos, de más línguas, de estereotipos, de olhares de lado. Sentir-se preso dentro de si mesmo ou ser rejeitado por aqueles que amamos não deve ser uma escolha que ser humano algum deva enfrentar. Por este motivo, esta única cena vale toda a sombra que a Família tem feito ao Big Bang. Uma série assim, que inspira as pessoas a aceitarem-se mutuamente e a nunca desistirem de serem felizes, relembra-me a célebre frase de Edward R. Murrow - a televisão "pode ensinar, pode iluminar e, sim, pode até inspirar. Mas apenas o pode fazer se os humanos estiverem determinados a usá-la nesse sentido. Caso contrário, não passa de cabos e luzes dentro de uma caixa. Há uma grande e talvez decisiva batalha a ser travada contra a ingnorância, a intolerância e a indiferença. A televisão pode ser uma arma útil."

 

Não deixem de ver os episódios.

article-2635906-1E17780500000578-312_634x504.jpg

The-Wedding.jpg

zap-modern-family-season-5-finale-the-wedding--009

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:00

Enquanto estuda, a T. fala alto. No início encomodava-me, mas acabei por me habituar. Ontem estávamos na sala com ela a papaguear a matéria de Geografia:

 

 - (...) existem mais de 800 milhões de analfabetos e quase dois terços são mulheres! (...) as taxas de escolarização femininas são, em regra, inferiores às masculinas (...). São várias as causas de discriminação da mulher na educação (...) custos da educação e a preferência pelos rapazes (...) menor valorização social da mulher (...) matrimónio precoce (...) gravidez na adolescência (...) maior vulnerabilidade da mulher ao HIV/SIDA.

(...)

- Caramba, é do caneco ser mulher em alguns lugares.

 

É do caneco ser mulher em todos os lugares, embora nuns mais do que noutros . Bom, pelo menos descobriu pelos livros.

banner_proj.jpg

 

Imagem do projeto Igualdade de Género e Não Discriminação, da Câmara Municipal de Abrantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:02

Sim, é verdade. Contaram-me as miúdas que ontem foi Dia Mundial da Sanita. Achei que era uma palermice qualquer, mas depois mostraram-me o seguinte vídeo e, para além de me despertar a curiosidade, achei engraçado.

Resolvi fazer mais alguma pesquisa e fiquei a saber que este dia é reconhecido pela UNICEF. Encontrei ainda uma imagem algo cómica, mas que realmente me pôs a pensar no assunto.

potd-toilet_3109710k.jpg

Mulheres indianas carregam sanitas na cerimónia de abertura do Festival Internacional da Sanita, em Nova Deli, que começou na terça feira e acaba hoje. A UNICEF estima que cerca de 50% da população da Índia não tem acesso a uma casa de banho limpa, segura e privada. Para além da exposição a doenças e infeções, para as mulheres isto significa um grande risco de violação, crime muito comum na Índia.

 

Digam lá se não faz pensar na importância da sanita.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:09

Quando escrevi este post sobre a exploração de crianças por uma marca multinacional, referi num dos comentários que acordei recentemente para essa realidade graças a uma fotorreportagem que mudou a minha perspetiva e, em certa medida, até os meus hábitos de consumo. Michael Wolf, um fotógrafo alemão, há cerca de dois anos, realizou uma visita a cinco fábricas de brinquedos na China com o objetivo de documentar as condições de trabalho dos seus trabalhadores. As fotos foram expostas na Califórnia, num espaço cujas paredes se encontravam forradas de brinquedos.

01-the-installation.jpg

As imagens não são tão chocantes como se estaria à espera. O que mais choca é a história por trás dessas imagens. Da China sai cerca de 75% da produção mundial de brinquedos. A maioria dos seus trabalhadores vem de pequenas aldeias rurais. Na China isso significa, de acordo com a lei restritiva da migração – hukou – que não foi alterada com a transição para uma economia de mercado, que os direitos sociais estão ligados ao local de nascimento, ou seja, são perdidos com a deslocação para as grandes cidades. Como é natural, os trabalhadores fazem isto à procura de melhores condições de vida. Não é isso que encontram! São alojados em dormitórios sobrelotados, onde muitas vezes há apenas uma casa de banho para cada 50 pessoas. A jornada de trabalho é longa, monótona e perigosa (só em 2009 foram contabilizados cerca de 1 milhão de acidentes industriais em fábricas chinesas). Os trabalhadores não estão protegidos contra os perigos dos materiais que manuseiam e não têm formação adequada. O tempo de almoço é de apenas 30 minutos e existem duas a três assembleias de trabalhadores obrigatórias todos os dias e que não são contabilizadas no horário de trabalho. Não há contratos, nem lhes são assegurados direitos laborais básicos. Por exemplo, às mulheres não é dada licença de maternidade, não há lugar a remuneração em caso de baixa médica e a limpeza é feita pelos próprios trabalhadores como medida disciplinar. Não podem falar uns com os outros e muitas vezes adormecem nas curtas pausas que têm. Acresce ainda o facto de serem mal pagos e fazerem horas extraordinárias que chegam a dobrar o horário de trabalho, esforço esse que não se reflete no pagamento. A administração das fábricas não está minimamente preocupada com os trabalhadores, que por seu lado não conhecem os seus direitos e acreditam mesmo que estão a trabalhar por um futuro melhor. O governo fecha os olhos.

 

E ficamos assim! Só com imagens e factos gerais e sem considerações pessoais. Para quem quiser conhecer melhor a vida destes trabalhadores enquanto fazem os brinquedos do mundo, que provavelmente nunca conseguirão adquirir, pode ver a fotorreportagem completa aqui.

04-toy-factories.jpg

11-toy-factories.jpg

14-toy-factories.jpg

15-toy-factories.jpg

16-toy-factories.jpg

18-toy-factories.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:51

Tenho o hábito diário de ver, para além das notícias, as fotos ligadas ao dia (como, aliás, já devem ter percebido). Isto mostra-me fotos incríveis, não só da natureza, como da humanidade. É isso que tenho mostrado aqui, de vez em quando. Claro que não há bela sem senão.

 

Do conflito na Síria, à situação na Ucrânia, passando pelo surto do Ébola e dos protestos em Hong Kong, tudo é coisinha para me arrancar uma lágrima. Já tinha dito antes, sou chorona. Mas uma das fotos que vi ontem é coisa para me fazer correr rios. De lágrimas e de tinta.

bd5d8d3a-3cb6-4ca1-ae4a-f6ad228206bf-1020x629.jpeg

Numa fábrica de balões, esta é apenas uma dos 6,3 milhões de crianças que trabalham no Bangladesh, o que corresponde a mais de metade da população portuguesa. O seu lugar é, obviamente, na escola.

 

Um dia, ainda vou contar estas histórias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:20

Nobel da Paz

10.10.14

ff75bab0-7d7c-46ac-95af-5f6b04710197-1020x714.jpeg

 A imagem do dia, mas amanhã falamos melhor disso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:24


Joana

foto do autor


Neste mar

Sobre tudo e sobre nada. História e política. Brincadeiras e aventuras. Literatura e cinema. Trivialidades e assuntos sérios. Arte e lusofonia. Dia-a-dia e intemporalidade. E, claro, um blogue com sotaque do norte.