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Reencontros

08.09.14

Estas férias ficam também marcadas por um reencontro. Antes de casar, a minha mãe tinha uma amiga a quem era especialmente chegada. Nunca viveram a mais de quinze quilómetros de distância, mas a vida foi acontecendo e elas separaram-se. Isto tem mais de vinte anos.

 

Ao longo do tempo, encontraram-se ocasionalmente na rua, umas duas ou três vezes. Trocaram números e mails, promessas de novos contatos e encontros, mas a vida nunca para de acontecer e há coisas que se vão sempre adiando.

 

Pois bem, estas férias, a vida parou de acontecer. Pelo aniversário da minha mãe, essa amiga ligou e, na conversa, perceberam que estariam aqui na mesma altura. Marcaram finalmente um reencontro a sério, com jantar e famílias ao barulho. Pela primeira vez conheci essa senhora de quem sempre ouvi falar. Quando se reencontraram, não pela primeira vez desde a juventude, mas pela primeira vez em que não foi um acaso do destino, deram um abraço apertado e cheio de saudade, lágrimas nos olhos e emoções que se sentiam. O resto, obviamente, foi muita conversa, mas espero mesmo que este seja o primeiro de muitos encontros e conversas, porque o que eu vi ali, no passeio de uma numa noite amena de Vilamoura, foi uma das características mais impressionantes das amizades verdadeiras. Não há vida ou tempo que as apague.

publicado às 18:47

Ontem chegou um casal amigo dos meus pais que me diz muito. Tanto como família. Conheceram-se quando a minha mãe estava grávida de mim e essa amizade tem, portanto, a minha idade. Fizemos férias juntos muitas vezes aqui em Portimão, em outros locais do Algarve e do país. Em todas essas férias, nunca foi aquela coisa de cada um à sua vida. Sempre fizemos praticamente tudo juntos – praia, passeios, refeições, compras – mesmo cada um tendo o seu carro e, às vezes, até o seu próprio alojamento. Eu também já pude fazer férias com amigos, pessoas que também me dizem muito e há ainda outros com quem gostava de fazer, mas que ainda não foi possível. Ainda assim, pergunto-me se vou ter esta sorte. Vinte e sete anos depois, com uma amizade tão sólida e genuína. A melhor forma de amizade: aquela que não pesa.

publicado às 16:29

Agora sim, é o final. E se deixei para o fim, foi de propósito. Este é o meu sítio preferido. Se eu morasse em Barcelona, imagino-me regularmente na esplanada desta pequena praça, provavelmente a escrever, ou até mesmo sentada no chão, à sombrinha, com um dos sumos de La Boqueria, a rabiscar num dos meus cadernos. Sim, gosto da praia, ou da praça da Catedral e das ruelas de El Born, mas este seria o meu lugar. E sim, sem surpresas, por causa do mural. Imagino que antes fosse uma praça como outra qualquer, mas claro que isto muda tudo. A obra é recente - tão recente que o nosso guia da Free Tour não sabia sequer da existência - e é na pequena praça d’Isidre Nonell, muito tranquila e muito perto da Catedral, que encontramos El món neix en cada besada - O mundo nasce a cada beijo. À primeira vista é isso mesmo, um beijo, mas ao perto percebe-se que é composto por pequenos azulejos com fotografias distintas. São os contributos de fotos pessoais de cidadãos que as enviaram em resposta à pergunta "o que é para ti viver livre?". O P3 dá muito mais detalhes e a obra pode ser vista on-line e ampliada a cada foto que a compõe. Mas, claro, nada como estar lá.

 

Podia escrever tanto sobre isto. Como dei voltas e voltas, fiz perguntas e perguntas, até conseguir o encontrar. Como vou criar uma tag (estórias) inspirada neste local. Como me faz estremecer ao pensar no seu significado - a liberdade - que realmente está num simples beijo. Não sou artista. A minha assinatura nunca estará num mural como este. Ainda assim, penso na arte que mais adoro e me fascina - a escrita. Recordo Queirós com Os Maias, Charlotte Bronte com Jane Eyre ou Pessoa com a sua Mensagem. E tenho para mim que, para Joan Fontcuberta, isto pode ser a obra de uma vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao ver estas pequenas fotos - famílias, casais, crianças, multidões, momentos - penso na minha resposta à pergunta que está na base desta obra. Para mim é fácil. Escrever. Escrever muito, sempre e o que eu quiser. 

publicado às 12:16

 

Hoje é o dia internacional de um dos meus ídolos – Nelson Mandela. Advogado, ativista, político, pacifista e extraordinário ser humano. Faz hoje 96 anos. Faz, no presente do indicativo, que as lendas vivem para sempre.

Por ser estreita a senda - eu não declino,

Nem por pesada a mão que o mundo espalma;

Eu sou dono e senhor de meu destino;

Eu sou o comandante de minha alma.

Invictus – William Ernest Henley

publicado às 16:32

Sophia

02.07.14

 

Não há quem hoje não saiba o nome de Sophia de Mello Breyner. Dez anos após a sua morte, Sophia volta a ser notícia por motivo da sua trasladação para o Panteão Nacional. Merecê-lo-ia? Ouvi esta questão colocada de muitas formas, sobre a trasladação, efetiva ou eventual, de várias personalidades. Que o Panteão é para heróis de guerra e para quem preste um serviço à nação. E eu pergunto - haverá maior serviço do que o prestado por Sophia à língua portuguesa? Da capacidade transformadora do sonho em A Menina do Mar, à vida inacabada de Hans em Saga. E, claro, a poesia. A poesia fiel e comprometida, ávida de justiça e de liberdade, transparente e sensorial, estilística e linguisticamente perfeita. Toda uma obra (e uma vida) de luta e preocupação social, reveladora de um génio humanista a acrescer ao literário.

 

Sophia de Mello Breyner não recebeu honras de Panteão ao acaso. Mereceu-o com o legado ímpar que deixa à cultura portuguesa - uma obra que é claro exemplo de que a literatura pode influenciar, instruir e iluminar o mundo. Repousa agora junto a Almeida Garrett e a Humberto Delgado. Penso que aprovaria.

publicado às 22:50


Joana

foto do autor


Neste mar

Sobre tudo e sobre nada. História e política. Brincadeiras e aventuras. Literatura e cinema. Trivialidades e assuntos sérios. Arte e lusofonia. Dia-a-dia e intemporalidade. E, claro, um blogue com sotaque do norte.