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Sei que estas coisas variam mediante as zonas do país, mas a tradição natalícia no que toca aos pratos mantém-se na minha família desde que me lembro. A sopa é sempre canja, que não há canja como a da minha avó. Para sobremesa, tende a haver sempre um bolo de chocolate por causa dos miúdos, o resto depende, mas nunca falham as rabanadas e o pudim, que não há pudim como o da minha avó. Por mim, também havia sempre leite creme, que não há leite creme como o da minha avó, só que, pronto, não estamos todos de acordo. Em regra, temos dois pratos principais. Um de carne, normalmente assado, mas até aqui é tudo negociável (exceto, talvez, a canja, que acho que as minhas primitas já nem queriam as prendas se não houvesse canja), agora o que não pode faltar é o típico bacalhau cozido com batatas e couve, também chamado de caldeirada ou bacalhau com todos e que eu detesto. O que vale é que não há caldeirada como a da minha avó.

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publicado às 11:25

Graças aos destaques do Sapo, encontrei este texto. Gostei bastante e mexeu comigo. Aliás, este assunto da adoção mexe sempre comigo! Aqui perto de minha casa há uma instituição que acolhe crianças orfãs até que, esperançosamente, sejam adotadas. Já fui lá algumas vezes, umas no âmbito de iniciativas de associações a que pertencia, outras a titúlo individual. Foi sempre de partir o coração ouvir aquelas histórias tão triste de vidas ainda tão jovens. Vim sempre embora com vontade de trazer um ou dois comigo. Lembro-me que, da primeira vez que lá fui, fiquei verdadeiramente surpreendida com a realidade que encontrei, muito diferente da que fui construindo na minha cabeça ao longo da vida, sobre o que seria um orfanato. É um local com boas condições e as crianças são bem tratadas, mas, mais do que isso, elas verdadeiramente adoram aquelas pessoas, que os tratam com todo o carinho e amor.

 

Gostava de adotar um dia. Digo isso muitas vezes, mas não sei se vou ser capaz. Por motivos muito egoístas, na verdade. O processo de adoção assusta-me muito e só o queria fazer depois de ter um filho biológico pela simples razão que gostava de estar grávida. Ter uma vida a construir-se dentro de mim. Adotar não é uma decisão fácil (nem uma que possa tomar sozinha), mas mesmo perante as dificuldades do processo, lembro-me das crianças que conheci naquela casa. Mesmo sendo bem tratadas e acarinhas, o que mais queriam era uma família. E eu sei que isso não se baseia em laços de sangue e sim em laços de amor.

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publicado às 19:34

Dia do Pai

24.09.14

O meu pai (com a extrema simpatia de muitos dos meus amigos) vive com três mulheres, sempre a ouvir falar de iogurtes magros e bolachas integrais, sapatos e maquiagens, carteiras e vestidos. Não passa um dia em que não leve com uma pergunta do tipo "estou mais gorda, não estou?" ou "achas que vista a blusa azul com as calças brancas ou a rosa com os calções das riscas?". Pois bem, hoje não há dessas conversas. Hoje é Dia do Pai. Do meu, quero dizer.

 

Em nome das três: parabéns - sobreviveste a mais um ano no meio do mulherio. Da minha parte, em particular: parabéns - sobreviveste a mais um ano do meu mau feitio (onde será que fui buscá-lo?). E obrigada, pelos três milhões de coisas que vão das fraldas às propinas da universidade, do gosto pelas línguas à resposta sempre pronta.

Queria pôr uma foto dos quatro, mas parece que encontrar uma onde estejamos todos bem nunca foi possível. Portanto, deixo uma dos nossos primeiros dias juntos.

publicado às 20:17


Joana

foto do autor


Neste mar

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