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Ora bem, isto vai ser complicado, porque passa-se a três vozes quase em simultâneo. É tipo um momento T. com a mãe ao barulho, mas vou tentar.

 

Depois de conversarmos a quatro sobre o jantar, ficou decidido que seria arroz de polvo, sendo que eu preferia filetes de polvo. Eu e a T. ficámos em casa, as duas na sala, e os nossos pais foram às compras. A dada altura, estou com a minha mãe ao telefone, a T. de costas para mim:

 

Eu - O que vai, afinal, ser o jantar?

Mãe - Filetes de polvo.

T. - Arroz de polvo.

Eu (em manifesta alegria) - Eiii! A sério?

Mãe - Sim!

T. - Calma, é só arroz de polvo.

Eu - Com o quê?

Mãe - Com arroz de polvo.

T. - Estás parva? É arroz de polvo.

Eu - Arroz de polvo?

Mãe - Sim, é assim que se costuma fazer.

T. - Sim, já não tinha dito isso?

Eu - Não era melhor com arroz de feijão?

Mãe - Ah, também pode ser!

T. - Estás tolinha! Arroz de polvo com feijão? Tanto Masterchef anda-te a fazer mal.

publicado às 12:29

- Joana, sabias que em ciências estudámos os olhos.

- Ai sim? E então?

- A professora disse que não íamos ver os olhos verdes porque são os mais complicados e raros, apenas 2% da população tem.

(Fica ali a olhar para mim.)

- Ok!

- Não percebeste?

- O quê?

- Tu tens olhos verdes.

- E então?

- Então és uma ave rara e complicada. 

publicado às 16:22

Toda a gente tem histórias destas e eu não sou exceção. Vou contar apenas uma. Aqui há uns bons dez anos, teria a T. uns quatro anitos, disse à minha mãe o seguinte:

 

- Mãe, sabes o que é que eu queria mesmo, mesmo?

- O quê, filha?

- Voar!

 

Pronto, a coisa ficou-se por ali, mas, no ia 24 de dezembro, o meu pai fez a sua tradicional penitência natalícia até ao hipermercado mais próximo buscar aquela coisa que falta sempre e, por um mero acaso, deu com um brinquedo com as seguintes características: eram umas asas de fada mecânicas, funcionavam a pilhas, eram usadas nas costas como uma mochila, batiam. Portanto, a conversa do dia de Natal foi:

 

- T., isto não é a sério. É só a brincar. Não podes voar.

publicado às 12:44

A minha mãe anda constantemente a reclamar que eu e a T.não nos calamos. Por esse motivo, e vindo não sei de onde, decidimos repetir a última parte de tudo o que dizíamos três vezes.

 

Mãe (da cozinha) - T., vai vestir o pijama.

T. - Já vou, já vou, já vou!

Mãe (ainda na cozinha) - Eu dou-te o já vou.

T. - Joana, Joana, Joana.

Eu - Que foi, que foi, que foi?

T. - Viste o meu pijama, pijama, pijama.

Eu - Não, não, não.

T. - Está aqui, aqui, aqui.

Eu - Ok, ok,ok.

T. - Não vestes o teu, teu, teu?

Eu - Já visto, visto, vis...

Mãe (que continua na cozinha) - Já me doem os ouvidos!!!

Ai, ai! Já não tenho idade para isto.

publicado às 08:34

Enquanto estuda, a T. fala alto. No início encomodava-me, mas acabei por me habituar. Ontem estávamos na sala com ela a papaguear a matéria de Geografia:

 

 - (...) existem mais de 800 milhões de analfabetos e quase dois terços são mulheres! (...) as taxas de escolarização femininas são, em regra, inferiores às masculinas (...). São várias as causas de discriminação da mulher na educação (...) custos da educação e a preferência pelos rapazes (...) menor valorização social da mulher (...) matrimónio precoce (...) gravidez na adolescência (...) maior vulnerabilidade da mulher ao HIV/SIDA.

(...)

- Caramba, é do caneco ser mulher em alguns lugares.

 

É do caneco ser mulher em todos os lugares, embora nuns mais do que noutros . Bom, pelo menos descobriu pelos livros.

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Imagem do projeto Igualdade de Género e Não Discriminação, da Câmara Municipal de Abrantes.

publicado às 09:02

Humor T. #8

26.11.14

Ontem à noite, estou eu muito sossegada no meu quarto a arrumar roupas, quando:

 

- Joanaaaaa...

 

Lá me desloco à sala.

 

- Olha! (Menina T, mostra-me orgulhosamente  o que parece um pequeno caule.) Sabes o que é?

- Não!

- Aloé Vera.

- Aloé Vera?

- Sim.

- E onde o foste buscar?

- À cozinha.

- Portanto, temos Aloé Vera na cozinha?

- Sim.

- E como sabes que é Aloé Vera?

- Porque quando espremo cheira a Aloé Vera.

- O quê?

(Aproxima-se de mim e estende o caule na minha direção.)

- Cheira!

(...)

- Então?

- Isto é salsa!

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Digam lá se não tenho herbologista?

publicado às 09:38

Ontem foi a première do terceiro filme da saga The Hunger Games e eu tenho a fã número um cá em casa.

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Pensei que a miúda não ia dormir. Até já queria comprar os bilhetes (em Portugal estreia dia 20).

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Mostrou-me fotos da Jennifer Lawrence de todos os ângulos possíveis. Eu disse "hum, está bonitinha". Ela fez cara de má e disse "chiu!". Parece que ofendi a santa. Tenho umas Avé Marias para rezar.

publicado às 09:42

Artigo 37º

17.10.14

Quando a T. me trouxe o trabalho que lhe pedi para ver, o tal sobre as orientações sexuais, pus-me a ver outras coisas que lá havia no seu portefólio todo organizadinho.

 

Encontrei um sobre a liberdade de expressão. Subitamente, pensei o que seria deste meu cantinho em tantas partes do mundo e senti-me mesmo feliz de viver aqui, protegida pelo artigo 37º da Constituição e poder dizer o que quiser e bem me apetecer. Como que detesto que a coadoção não tenha sido aprovada e que a oposição em Portugal é, no geral, uma anedota.

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publicado às 11:32

Quis ler o dito trabalho sobre orientações sexuais e a minha T. escreveu assim: Os homossexuais são, muitas vezes, discriminados pela sociedade e até pelos seus familiares (…) mas não posso concordar com esta atitude, pois penso que as pessoas devem ter liberdade de serem quem são e procurarem ser felizes, sem se sentirem discriminadas pelos outros.

 

Será que posso acreditar que um bocadinho disto é meu? Posso?

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publicado às 10:01

Ter uma irmã de 14 anos normalmente é fonte de muitas tropelias, brincadeiras, peripécias e comédias, mas hoje não é um desses dias. A T. esteve a contar-me que, já no ano letivo passado, estiveram a falar, na disciplina de Escola e cidadania, sobre orientação sexual e que, como trabalho de casa, tinham que elaborar um texto sobre o assunto. Tenho algumas dificuldades em perceber este trabalho, mas penso que o objetivo era obrigá-los a pensar sobre o que ouviram na aula e sobre o debate (ou balburdia) que se seguiu. Converso com a T. sobre essa aula e eis que ela me diz que boa parte da turma é “contra os homossexuais”. Contra? Oi? Como se isso fosse sequer possível! É como ser contra a escola ou o sol. Fiquei desanimada! Tão jovens e já homofóbicos, discriminadores, formatados. Não percebo, a sério que não. Há alguma coisa de muito errada aqui e, por muitos fatores que considere, nunca consigo desconsiderar os agentes educadores.

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publicado às 21:38


Joana

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Neste mar

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