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Gente

10.12.14

Às vezes, vejo assim uma série de fotos que me deixam a pensar. Algumas até me põem assim, como dizer, quase em modo chorona. Estas são todas de ontem e contam histórias de muita gente.

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O violoncelista David Wong toca rodeado de mensagens de apoio aos protestos de Hong Kong. Aquela gente não desarma.

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Kailash Satyarthi e Malala Yousafzai, os mais recentes laureados com o Prémio Nobel, chegam ao Instituto Nobel Norueguês para a sua conferência de imprensa. Há gente que parece de outro mundo.7c9203dc-c72e-4619-838e-56661ba667fe-1020x612.jpeg

Na praia de Copacabana, cada uma das cruzes simboliza a vida de um polícia perdida nos último dois anos no Rio de Janeiro. Há mundos que não são para gente.

publicado às 08:40

Vamos lá então falar do Nobel da Paz. Este prémio, ao contrário dos seus congéneres, pode ser atribuído tanto a pessoas como a instituições. Embora tenha ficado feliz quando, em 2012, o galardão norueguês foi atribuído à União Europeia, reconheço, obviamente, que o deste ano foi muito melhor concedido.

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Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi têm religiões diferentes e provêm de países que permanecem de costas voltadas. No entanto, ambos lutam pela mais nobre de todas as causas: os Direitos Humanos. Yousafzai é uma ativista em prol do direito básico à educação e Satyarthi luta contra a escravização de crianças. Podia dizer que estas causas que me são especialmente próximas, mas isso equivale a dizer nada. Nunca trabalhei ativamente por esses objetivos e, nessa perspetiva de sofá, são próximas a todas gente. Não vou também contar as suas histórias de vida, que foram amplamente divulgadas nas últimas horas e que se encontram permanentemente disponíveis online. Fico apenas feliz por ainda existirem seres humanos tão extraordinários e corajosos.

 

Vou antes referir quem é pouco falado nestas circunstâncias. Malala Yousafzai teve sempre garra e coragem, mas penso que há outro fator deteminante no seu percurso: o pai. Ziauddin Yousafzai já travava a luta pelo acesso à educação para todos na zona do Vale do Swat. Educou Malala da forma que todos os pais deveriam educar os seus filhos: para ser o que ela quisesse, sem julgamentos e sem pressões. Para ser feliz! A pessoa e a vida extraordinária desta jovem, que cresceu num mundo muito distante do meu, têm muito de si própria, mas penso que o senhor Yousafzai se pode congratular. Também foi graças a si que Malala se tornou a mais jovem laureada com o Nobel da Paz.

As pessoas perguntam-me o que eu fiz que tornou a Malala tão corajosa, destemida e segura. E eu digo: não me perguntem o que eu fiz. Perguntem-me o que eu não fiz. Eu não cortei as asas dela, foi só isso.

Ziauddin Yousafzai

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publicado às 17:07

Nobel da Paz

10.10.14

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 A imagem do dia, mas amanhã falamos melhor disso.

publicado às 20:24


Joana

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Neste mar

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