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Tive algumas dificuldades com este. Gosto de música assim no geral. Ouço no rádio e, às vezes, em casa, mas não é um hobbie. Sinceramente, nem sei muito bem os álbuns lançados em 2014, por isso ia só falar de uma música que, sendo de 2013, chegou ao meu conhecimento em 2014 (e ouvi em loop apartir daí) através de um outra forma de arte à qual sou mais chegada: o cinema.

 

Só que depois lembrei-me do único concerto a que assisti no ano passado e que resultou num álbum - os Silence 4. Como é natural, as músicas não são novas, mas, tal como nos dinais da década de 90, continuam incríveis. Não, não passei os últimos anos sempre a ouvir os CDs e a pensarno regresso da banda, mas, espanto meu, as músicas ainda estavam todas cá. Da banda portuguesa que marcou uma geração, Songbook Live 2014. "Fatela, foleiro e de menina" - era o que o E. me diria. Não quero saber.

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publicado às 13:43

Após prolongada ausência para comer os chocolates que recebi no Natal (a minha dieta começa no ano novo, portanto, não dá para facilitar), volto com "O Melhor de 2014 - séries".

 

Quase nem valia a pena escrever este post. Bastava remeter para este sobre os Emmys. Vou então começar por fazer batota e escolher duas séries, uma de comédia e outra de drama. As escolhas são óbvias e clichés: A Teoria do Big Bang e Breaking Bad. A primeira é, de muito longe, a minha comédia atual favorita e não percebo como nunca ganou o Emmy ou o Globo de Ouro de Melhor Série de Comédia. A minha segunda escolha é ainda menos original: o final de uma aclamada série de culto, por muitos considerada a melhor série de sempre. Os motivos destas escolhas são comuns: o argumento, o elenco e a direção. Mas a escolha final terá que ser Breaking Bad. Tem um ponto extra com a sua brilhante fotografia, traz a vantagem de retratar a terrível realidade do mundo da droga e soube encontrar o seu fim. É que eu tenho esta teoria que uma boa série sabe quando deve terminar e acho que Breaking Bad soube fazê-lo numa perfeição que levará a série a ser vista por longos e bons anos.

 

A quem nunca viu (há alguém?), vejam e tentem não engolir todas as temporadas de rajada. Desafio-vos.

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publicado às 18:37

Este não foi propriamente um ano em que tenha ido muito ao cinema, ou sequer visto muitos filmes, mas a escolha para mim é mesmo simples. Os Maias, de João Botelho. Já falei disso aqui. Da perfeição do elenco, da atualidade da obra, do guião que é a escrita de Eça, da inteligência do realizador ao utilizar os poucos recursos a seu favor, pintando uma Lisboa surreal, em que todos ostentam e se arrogam, mas que formam uma sociedade frágil e decadente. Tudo isto me faz escolher Os Maias, mas a principal razão é outra. Eça de Queirós é um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, não só pela sua literatura crítica e interventiva, com descrição minuciosa e visualismo cuidado, histórias complexas e intrincadas, expoente máximo da corrente realista, mas, também por a sua obra se manter, ainda que tristemente para todos nós, atual, com um país que continua a reboque das grandes potências europeias, com pessoas que continuam a viver de aparências e ilusões e que (e aqui, penso, a tendência começa a inverter-se) com uma cultura estrangeirista, que apenas valoriza o que há fora, com absoluto desvalor do que é nosso. Ainda que o filme não possa, de forma alguma, substituir a leitura do livro, Botelho trouxe Eça ao grande público e não o fez de qualquer forma, mas com a mestria, o realismo e a justeza que um dos maiores clássicos da literatura portuguesa merece.

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publicado às 12:40

Ora bem, ninguém me perguntou nada assim em específico, mas, como eu não posso ver nada, vou dizer tudo na mesma. Aqui ficam as minhas escolhas para 2014, seguindo as mesmas categorias que o Sapo propôs a vários blogueres para nomearem.

 

O melhor livro que eu li em 2014 é, por acaso, o último. Chama-se Americanah, de Chimamanda Ngozi Adiche e já o tinha mencionado por aqui um par de vezes. Apesar de estar no meu top de 2014, foi considerado um dos dez melhores livros de 2013 pelo New York Times.

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Ifemelu e Obinze são dois namorados de liceu, que se separam quando ela vai estudar para os Estados Unidos. Lá, Ifemelu percebe que o racismo existe em variadíssimas formas e que a tão ansiada América não estende o tapete vermelho com tanta facilidade e, muito menos, a todas as pessoas. Apesar de manterem a sua relação, Ifemelu e Obinze acabam por se separar, não pela distância física, mas sim pela distância dos mundos em que agora vivem. Treze anos depois, inexplicavelmente, Ifemelu decide voltar para a Nigéria à procura daquilo que a América lhe tirou: as suas raízes. Mas tudo mudou, desde o país em que cresceu a Obinze, que agora é um empresário de sucesso, casou e tem uma filha. Em analepses e prolepses, assistimos ao desenrolar da história de Obinze e Ifemelu, mas também ficamos a conhecer a Nigéria dos últimos vinte anos, a sua instabilidade e evolução, e os Estados Unidos da última década de um ponto de vista muito pouco abordado na atualidade: o dos negros não americanos.

 

Cativante, bem escrito, inteligente, crítico, mordaz, inconvencional, envolvente e com protagonistas fortes e imperfeitos (ou talvez devesse dizer humanos), Americanah é uma leitura fulminante, intensa, com descobertas, reviravoltas e desilusões a cada página e, sim, como é natural nos romances, com o leitor a torcer pelos protagonistas no final.

publicado às 09:38


Joana

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Neste mar

Sobre tudo e sobre nada. História e política. Brincadeiras e aventuras. Literatura e cinema. Trivialidades e assuntos sérios. Arte e lusofonia. Dia-a-dia e intemporalidade. E, claro, um blogue com sotaque do norte.