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... nada melhor que um destaque do Sapinho. Obrigada!

publicado às 09:05

Vamos lá então falar do Nobel da Paz. Este prémio, ao contrário dos seus congéneres, pode ser atribuído tanto a pessoas como a instituições. Embora tenha ficado feliz quando, em 2012, o galardão norueguês foi atribuído à União Europeia, reconheço, obviamente, que o deste ano foi muito melhor concedido.

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Malala Yousafzai e Kailash Satyarthi têm religiões diferentes e provêm de países que permanecem de costas voltadas. No entanto, ambos lutam pela mais nobre de todas as causas: os Direitos Humanos. Yousafzai é uma ativista em prol do direito básico à educação e Satyarthi luta contra a escravização de crianças. Podia dizer que estas causas que me são especialmente próximas, mas isso equivale a dizer nada. Nunca trabalhei ativamente por esses objetivos e, nessa perspetiva de sofá, são próximas a todas gente. Não vou também contar as suas histórias de vida, que foram amplamente divulgadas nas últimas horas e que se encontram permanentemente disponíveis online. Fico apenas feliz por ainda existirem seres humanos tão extraordinários e corajosos.

 

Vou antes referir quem é pouco falado nestas circunstâncias. Malala Yousafzai teve sempre garra e coragem, mas penso que há outro fator deteminante no seu percurso: o pai. Ziauddin Yousafzai já travava a luta pelo acesso à educação para todos na zona do Vale do Swat. Educou Malala da forma que todos os pais deveriam educar os seus filhos: para ser o que ela quisesse, sem julgamentos e sem pressões. Para ser feliz! A pessoa e a vida extraordinária desta jovem, que cresceu num mundo muito distante do meu, têm muito de si própria, mas penso que o senhor Yousafzai se pode congratular. Também foi graças a si que Malala se tornou a mais jovem laureada com o Nobel da Paz.

As pessoas perguntam-me o que eu fiz que tornou a Malala tão corajosa, destemida e segura. E eu digo: não me perguntem o que eu fiz. Perguntem-me o que eu não fiz. Eu não cortei as asas dela, foi só isso.

Ziauddin Yousafzai

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publicado às 17:07

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Uma vez li Murakami. Sputnik, meu amor. A escrita é boa, mas não adorei. Nem lá perto. Este ano, o autor japonês volta a ser favorito na corrida ao Nobel.

Tenho algum treino em análise literária: estilos de escrita, recursos expressivos, simbolismo - costumo apanhar essas coisas sem me consumir muito. Claro que às vezes é chato ler livros assim, sempre tão analiticamente, mas outras vezes, a maioria, não. Gosto de ler um livro e perceber o seu autor, as suas opções, mas Murakami está a tramar-me e sei que o problema é meu.

Encaro os livros da mesma forma que encaro viagens: nunca vou ler tantos quanto queria. Sou chegada à literatura mais clássica e a assuntos palpáveis (ainda que sejam setimentos) e é para esses livros que mais tendo. Claro está que não foi, de todo, isso que encontrei em Murakami. Tudo me pareceu tão surreal, tão alternativo (sim, já sei que a grande influência dele é Kafka). Se há coisa que aprendi a ler Saramago é que não devemos desacreditar um autor só porque ele não segue as regras. Aliás, parte do génio de Saramago está, precisamente, no seu caráter transgressor. Talvez deva insistir. Costumo ter essa mania de dar uma segunda chance a um autor de que não gosto à primeira, mas nem sei que livro escolher.

A verdade é que, daqui a pouco mais de uma hora, o senhor Haruki Murakami poderá ser o mais recente detentor do mais alto galardão da literatura mundial. Vou ler de novo, definitivamente. 

publicado às 09:44


Joana

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Neste mar

Sobre tudo e sobre nada. História e política. Brincadeiras e aventuras. Literatura e cinema. Trivialidades e assuntos sérios. Arte e lusofonia. Dia-a-dia e intemporalidade. E, claro, um blogue com sotaque do norte.