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Depois de ver Os Maias, fico a pensar como um baixo orçamento não é motivo para deixar as grandes obras primas no papel. Há lugar para o cinema em Portugal. Então, o que eu queria mesmo, era ver o Memorial do Convento adaptado à sétima arte. Isto é sempre uma afirmação difícil, mas acho mesmo que foi o melhor livro que já li. Não vou agora pôr-me aqui a fazer uma análise detalhada. Sei que a adaptação é mais difícil, mas deixo isso para quem percebe do assunto.

 

A quem achar que não vale apena, vou deixar aqui a minha visão sobre um dos segmentos da obra: Baltazar e Blimunda. Ele é maneta, ela é vidente. Ele constrói uma máquina proibida, ela recolhe as vontades que a farão funcionar. Ele perde-se, ela procura-o. Romeu e Julieta. Tristão e Isolda. Elizabeth e Mr. Darcy. Não há história ou amor como o de Baltazar Sete Sóis e Blimunda Sete Luas. Duas faces da mesma moeda. O amor perfeito. Aquele que não cobra, que compreende, que se reconhece, que se basta, que completa, que acredita, que não desiste. O génio de Saramago, revelado também num lado mais doce.

 

Agora digam lá se isto, só por si, já não merecia um filme?

publicado às 10:16


Joana

foto do autor


Neste mar

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