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Fui ao dentista. Tudo normal. Não era grave e nem doeu. O problema foi na sala de espera. Porquê? Porque a televisão estava ligada num determinado canal generalista português onde uma senhora inventava dizia as cartas a telespectadores que ligavam a colocar um problema determinado. Ao ser atendido, o dito telespetador ganhava logo toda uma variedade de aldrabices amuletos da sorte para tudo e mais alguma coisa. O que aconteceu? Uma senhora tinha um problema de saúde e estava na dúvida entre ser operada ou fazer fisioterapia. Pois vai que após umas cartadas, a senhora das cartas lhe diz qualquer coisa como: "não vai nada ser operada, vai resolver tudo com fisioterapia e vai ver que fica tratada, até lhe vou dar o número de um especialista que é muito bom e a vai ajudar".

 

No consultório do dentista foi tranquilo. Ali, na sala de espera, é que senti algumas dores.

publicado às 10:32

Vi os dois últimos episódios da quinta temporada de Uma Família Muito Moderna. (Atenção: spoilers a partir deste ponto.) Nestes episódios, Mitch e Cameron casam-se. Tudo parece correr mal, desde não terem os fatos de casamento a incêndios no local da cerimónia, mas o grande problema é Jay, o pai de Mitch, que, embora aceite a homossexualidade do filho, não está propriamente de acordo com o casamento. Só que, claro, no final, tudo fica bem porque Jay acaba por perceber que a única coisa que realmente importa é a felicidade de Mitch.

 

Gosto desta série, mas vejo-a sempre como a rival que arrebanha todos os prémios a A Teoria do Big Bang, essa sim, a minha favorita. Mas acontece que eu tenho esta teoria que o mundo tem finalmente de aceitar que todos temos o direito de sermos livres. Sim, claro, livres para votarmos em quem quisermos e expressarmos as nossas opiniões sem medos, mas também livres de preconceitos, de más línguas, de estereotipos, de olhares de lado. Sentir-se preso dentro de si mesmo ou ser rejeitado por aqueles que amamos não deve ser uma escolha que ser humano algum deva enfrentar. Por este motivo, esta única cena vale toda a sombra que a Família tem feito ao Big Bang. Uma série assim, que inspira as pessoas a aceitarem-se mutuamente e a nunca desistirem de serem felizes, relembra-me a célebre frase de Edward R. Murrow - a televisão "pode ensinar, pode iluminar e, sim, pode até inspirar. Mas apenas o pode fazer se os humanos estiverem determinados a usá-la nesse sentido. Caso contrário, não passa de cabos e luzes dentro de uma caixa. Há uma grande e talvez decisiva batalha a ser travada contra a ingnorância, a intolerância e a indiferença. A televisão pode ser uma arma útil."

 

Não deixem de ver os episódios.

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publicado às 09:00

Shamy

22.11.14

Gosto d' A Teoria do Big Bang. Não sou assim a grande fã que não perde um episódio, mas sempre estou a ver televisão e apanho um, vejo. Das comédias atuais é a minha favorita, com o seu humor permanente, personagens excêntricas que tentam adequar-se ao mundo normal (e vice-versa) e um elenco que funciona. Tem também o romance mais improvável e aparentemente disfuncional do universo: Sheldom e Amy (Shamy). 

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Amy anseia por um namorado há anos. Sheldon nunca quis uma mulher na sua vida. Estão a encontrar-se a meio do caminho. Funciona! A evolução da sua relação, ainda que extremamente lenta, é, na minha humilde opinião, absolutamente certa. Com a naturalidade e a serenidade que dão solidez às coisas e um ritmo imposto, não pela sociedade, mas pelos próprios, através de série de compromissos cómicos de parte a parte.

O mundo televisivo está a rebentar de casais aparentemente "melhores". Com mais química, mais emoção, muito mais entusiasmo e que encaixam nos padrões sociais do romântico. Ainda assim, estes dois cientistas esquisitos e inadequados são bem capazes de se terem tornado num dos casais mais interessantes e atrativos da televisão americana. Com o talento dos seus criadores e as interpretações brilhantes de Jim Parsons e Mayim Bialik, Sheldon e Amy mantêm muito espetador agarrado ao ecrã e provam a maior de todas as teorias: que o amor não é uma fórmula exata.

publicado às 14:20

Gosto da Anatomia de Grey! Pronto, já disse! Vi tudinho das primeiras cinco temporadas e fui sempre acompanhando as seguintes. Acho até que a série melhorou quando o casal principal - Derek Shepherd (Patrick Dempsey) e Meredith Grey (Ellen Pompeo) - finalmente acertou agulhas. E acho isto por dois motivos: primeiro, permitiu dar destaque e desenvolvimento a outras personagens com histórias que também mereciam ser contadas e, segundo, deu ao espetador uma oportunidade rara - ver o que acontece depois do "felizes para sempre". A série ganhou uma dinâmica mais ao estilo de ER, embora não seja possível fugir muito da órbitra da personagem que lhe dá o nome.

 

Com apenas cinco elementos do elenco original, Anatomia de Grey soma e segue para a sua décima primeira temporada. Sim, é verdade, para além de Meredith e Derek, apenas Richard Webber (James Pickens, Jr.), Miranda Bailey (Chandra Wilson) e Alex Karev (Justin Chambers) permanecem. O que já revela um grande desafio - colmatar o vazio deixado por uma das personagens mais carismáticas desde o primeiro episódio: Cristina Yang (Sandra Oh). Para além de todas as tramas paralelas - a disputa pelo lugar de Cristina na direção entre Alex e Bailey, a nova vida de April Kepner (Sarah Drew) e Jackson Avery (Jesse Williams) como pais, a sempre atribulada relação de Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez), a vida de Owen Hunt (Kevin McKidd) depois de Cristina e uma participação muito especial de Geena Davies - consta-se que a nova temporada será muito focada em Meredith, com uma possível crise no seu casamento à vista, a partida da sua melhor amiga e a chegada de uma meia-irmã desconhecida, filha da sua falecida mãe e de Richard.

 

Quem quiser acompanhar as lutas pessoais destes cirurgiões enquanto tentam salvar vidas, pode fazê-lo já no próximo dia 8. Com apenas duas semanas de diferença para a estreia original, há duplo episódio, às 21h45, na Fox Life.

As imagens foram cortesia da Fox Life.

publicado às 14:59

Soube hoje que ontem fez vinte anos que estreou a série de culto Friends, que teve grande impacto na altura por abordar a vida de jovens adultos que encaram sem tabus a sua vida sexual. Com diálogos brilhantes, a comédia sempre presente, o elenco perfeito, um conceito à época inovador e uma audiência tão variada, não percebo como só ganhou o Emmy uma vez. Mesmo assim, a série conseguiu - não foi esquecida. Já vi todos os espisódios e ainda agora vejo. A minha irmã também adora. Para mim, bate qualquer comédia atual e nunca deixo de rir com os disparates e as peripécias de Rachel, Ross, Monica, Chandler, Phoebe e Joey. 

Quando me sinto deprimida, mas não tenho tempo para isso, ouço a música inicial para me animar. E resulta! Claro que eu sei que aquilo não existe - amigos que vivem juntos, fazem tudo juntos e estão todos os dias juntos. Mas lembra-me que existem amigos com quem se pode contar sempre, numa versão real que é melhor que a da série - mesmo não estando sempre juntos, são amigos daquela maneira when the rain starts to fall. Porque o melhor de Friends, muitas vezes acusada de ser superficial, é o seu conceito bem profundo - que os amigos são, mesmo não tendo esse nome, família. 

P.S.: É este género de coisa, pensar nessa família escolhida que eu tenho a sorte de ter, que me deixa os olhos a picar e as emoções em descontrolo. O que se há-de fazer, sou chorona.

publicado às 13:50


Joana

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Neste mar

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